segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Vida que Segue: Presente
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
CONSUMIDOS
O homem que cata papelão na rua
descansa seu carrinho de catador
e saca um iPhone do bolso
Folhea-o distraidamente
com olhos que sorriem
Passados, futuros, amores...
Ou a mera alegria de um iPhone
nas mãos do catador
vencido ou vencedor.
Feliz instante?
Eu não sei entender se a cena
é de um capitalismo ou socialismo
Nem o que significa esse tal ser feliz
Maria Angélica Taciano
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
O BRASIL NUM FILME DE HORROR - O "Gabinete do Dr Caligari" é para os fracos
Já assisti a algumas sessões da CPI da Covid que trouxeram informações terríveis sobre o tratamento dispensado pelo Governo Bolsonaro à pandemia no território brasileiro, mas nenhuma sessão a mim me pareceu tão assustadora quanto à de hoje, em que depôs o Diretor Executivo da Prevent Senior.
Se todas as acusações forem confirmadas quanto ao modo de agir da entidade e sua parceria com o "Gabinete Paralelo do Ministério da Saúde", pode-se afirmar que estamos vivendo, sob o céu do Brasil, o mais recente experimento aos moldes nazistas de testes científicos usando cobaias humanas, sobretudo velhos, já que a Prevent tem como público mais relevante pessoas idosas.
As menções ali referidas trazem indícios tenebrosos de experimentos em humanos com o tal Kit Covid, distribuído gratuitamente e com receituário médico padronizado a qualquer ingressante nos planos da operadora de saúde, bem como a sua aplicação em doentes confirmados e internados nos hospitais credenciados.
O fato escabroso envolve suspeita de matricídio, subnotificação de mortes por COVID por fraudes em atestados de óbito e participação do Governo Bolsonaro como incentivador, ou até mentor das operações, por meio do Ministério da Saúde e seu gabinete paralelo, o que envolveu profissionais da área médica vocacionados à ascensão profissional, ganho de dinheiro e sustentação de uma tese não científica de tratamento paliativo de COVID. Estou horrorizada!
A alegação da operadora de saúde e seu Diretor é que os médicos é que eram "livres" para receitar o que quisessem, ainda que tratamentos não confirmados cientificamente, e que a responsabilidade, portanto, seria desses profissionais.
Responsabilidade.
Acho que isso é o ponto menos nevrálgico da questão, quando temos um Presidente que reafirma o tal tratamento precoce num discurso bizarro na ONU, para o mundo inteiro ouvir. (Aliás, um aparte deve ser feito: não riam do discurso, modos ou palhaçadas do Bolsonaro. Tudo ali é calculado e tem um fim, um fim posto em plena execução, que é a eliminação massiva de vidas em nome de dinheiro e poder. E quando ele o faz na ONU, de modo à vontade, ele indica que nada o deterá. Há algo muito grande por trás disso, há não?).
Pois então, há sérias suspeitas de que estamos com práticas de experimentos nazistas, em pleno século XXI, em território brasileiro.
E como se trata tudo isso que ao fim se mistura com toda patacoada estridente do chefe do governo todos os dias? Com uma cartinha dirigida a ministro do Supremo, ditada por Michel Temer ao facínora no poder, carta essa que nunca teve a intenção de aplacar a sanha assassina do ditador, mas acalmar a reação de quem devia reagir.
Ao largo dessas intrincadas manobras de politiqueiro, penso como deve ser horrível ter a doença COVID, e seu alto grau de letalidade, ir ao hospital, entregar-se em confiança a um médico de uma rede de saúde privada e este ministrar remédios experimentais em você. Consegue conceber o desamparo?
Os efeitos disso são quadros de uma degradação fisiológica inenarrável, a ver pela descrição da causa mortis no prontuário do médico Dr Wong (ferrenho defensor da cloroquina, falecido de COVID) e da mãe do empresário Hang, o Véio da Havan. Este, pelo que se noticia, não somente internou a mãe aos tais experimentos como, depois, mentirosamente, disse em redes sociais que esta morrera de COVID por NAO usar cloroquina, numa visível e fraudulenta campanha de apoio ao tratamento. Como pode?
Temos um genocídio com requinte de crueldade em andamento, uma escalada intrépida do fascismo no país e nenhuma resistência efetiva para tirar esse homem do poder; temos, ao contrário, um Lira conivente. Tudo porque, antes da vida e da nação, há os interesses pelo dinheiro, mesmo dentre os novos "arrependidos bolsonaristas". Primam pela cautela antes de tirar o bufão do poder. Como ficariam os investimentos, e se, pior, a classe operária volta ao poder? Hum! Pensemos, vamos devagar... O que são números (de mortos) se não são números (nas bolsas)?
Tudo explica o desassombro com que até o filho fedelho de Bolsonaro faz chistes de ameaça às instituições da nação; ele sabe que caminha em território firme e dominado e que nada irá lhe acontecer.
Então, aos que riem das graças tenebrosas de Bolsonaro, tendo-o por louco e/ou burro, não o façam a menos que os risonhos sejam como hienas, que riem antes de devorarem as presas numa disputa por comida, ou que sejam uns nervosos, que gargalham de medo e desespero diante do terror.
Nós, gente comum brasileira, estamos morrendo de medo, dor, angústia, desamparo e de morte matada. Não achamos graça nisso.
Maria Angélica Taciano
*(Imagem: Montagem sobre imagens do filme O Gabinete do Dr Caligari - Fotomontagem Vinícius Vieira/ Jornal da USP.)
terça-feira, 21 de setembro de 2021
A HARMONIA QUE NÃO QUEREMOS
Nunca estiveram tão frágeis, depois da democratização do Brasil, as instituições de poder republicano do país.
Depois de uma clara ameaça à Democracia, por atos, mobilizações financiadas e discursos de ruptura da ordem constitucional pelo chefe do Executivo, é muito inocente pensar que o pior foi superado só porque uma nova alvorada sem chumbo despertou no dia 08 de setembro.
Em tempos de algoritmos, é no ar que a realidade paira e até chumbo flutua.
E trôpegos, tentando flutuar nessas ondas, porque depois do tropeço e antes da queda há sempre um voo, estamos aqui, sentindo-nos salvos nos discursos de quem nos trouxe até o estado de coisas em que vivemos.
Foi com estarrecimento democrático que ouvi nas rádios os brados do Presidente da República, em seu palanque golpista na avenida Paulista Dos presidentes dos Tribunais Superiores ouvi, com não menor estarrecimento, os gritos de pedido de reforço ao Legislativo, este que francamente claudica com outros discursos moderadores, que são tão inúteis quanto reveladores da conivência com perspectivas tenebrosas ao país.
Estamos definitivamente por nós. Mas quem somos nós?
Nem isso mais sabemos diante da volatilidade das certezas, que um dia se encolhem face às ameaças e gritos e, noutro, se agasalham sob um manto fino de que tudo não era "sério" , ao contrário, quase jocoso para estampar inúmeros "memes".(Vamos sorrir, afinal, que sorrir é remédio nessa terra doente sem outros remédios! )
Dizem que antes de toda morte há um sinal de um sopro de vida. A Democracia no Brasil vai de sopro em sopro dando seu adeus fatal.
É de sopros que ela morre sob os tiros dos tais canhões que flutuam nos perdões, nas indignas lágrimas e desculpas, na fé de hoje em valentes que, ontem, nos privaram de toda forma de vida, da dignidade da justiça, da proteção das leis e da Constituição.
A morte num segundo beijo de um vampiro, conhecido, assassino de Democracia, é hoje aceita por um estranho alento que cobre o medo ou a descrença.
Nunca estiveram tão frágeis as instituições de poder republicano, após a democratização do país, porque seus titulares de agora estão, ao fim e ao cabo, em harmonia.
Ai de nós!
quinta-feira, 29 de julho de 2021
As pessoas estão nas ruas
As pessoas estão nas ruas, nos bares, nas praias, nas calçadas, nos shoppings, nos salões de beleza, nos prostíbulos, nas igrejas, nos bancos das praças, nas lanchonetes, nas barracas de pastel e caldo de cana das feiras livres, nas academias, nas aulas de dança, nos campos e campinhos de futebol, nas casas uns dos outros celebrando vida...
domingo, 16 de maio de 2021
NADA OBSTANTE
Às vezes, sinto que vivo
uma paixão não correspondida
com a vida.
N'outras, tenho certeza
de nosso tórrido amor
(Imagem; Botero Sutra)
TIRE A MÃO DO MEU QUEIJO, COCA COLA.
TIRE A MÃO DO MEU QUEIJO, COCA COLA.
Pobre lua, com suas águas recém descobertas, está virando território de guerra comercial.
E os pretensos donos capitalistas da lua, que nada entendem de lua, vão reprimir as revoluções lunares...
POETAS, AMANTES, LÍRICOS E REVOLUCIONÁRIOS LUNÁTICOS DO MUNDO, UNI-VOS!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
All You Need is Love
ALL YOU NEED IS LOVE
sábado, 13 de fevereiro de 2021
SENTA QUE LÁ VEM FILME : "Malcolm & Marie"
.
(Os atores John David Washington e Zendaya, em cena do filme "Malcolm & Marie")
"Malcolm e Marie", do diretor Sam Levinson, narra a noite intensa de um casal que retorna de um prestigiado lançamento de um filme escrito e dirigido pelo personagem Malcolm e a roupa suja que então se lava, numa afiada e dolorosa discussão, que tem por estopim um deslize cometido pelo homenageado na hora dos agradecimentos pela ovação de seu filme.
O tal fato traz à tona toda uma teia de sentimentos, impressões, dúvidas e mágoas que cada um daquela dupla tem em relação a si mesmo e em relação ao consorte.
Nessa discussão, que transcorre entre diferentes temperaturas e que chega às margens de questões bem perturbadoras, nas quais, não raro, nos reconhecemos em alguma medida, se vê o quanto é comum se reproduzir sobre os mais próximos tudo o que se gostaria de obter e não se obtém do entorno, do mundo de fora, e a explosão para outras direções dessa frustração abafada.
"Malcolm e Marie" traz à tona, num diálogo muito bem elaborado, atuações impecáveis da dupla de atores, uma trilha sonora lindíssima com jazz, blues e soul dos grandes, e em meio a um ambiente em preto e branco, questões que vêm do subterrâneo das relações amorosas, sociais, políticas e humanas. Estão, por exemplo, no mesmo patamar de importância e significado, desde um macarrão com manteiga que a mulher prepara para matar a fome e acordar a realidade, quanto o discurso revoltado do personagem cineasta em relação à crítica recebida da mídia branca, que julga a qualidade de seu filme exclusivamente pela perspectiva de se tratar de uma obra feita por um negro. E, no entanto, esse reconhecimento pretendido o mesmo cineasta avaliado não o devota à sua companheira, talvez pelos mesmos caminhos do olhar percorrido pela jornalista que fez a crítica de seu filme.
Marie, por sua vez, como o companheiro Malcolm, com todas as armas que ambos têm e poderiam usar e se libertar, não toma nas mãos o que realmente quer, apenas esperando passivamente, até aquela noite, que lhe seja entregue tudo o que julga lhe pertencer. E nesse caldo se diluem questões raciais, de gênero, as falas engolidas e a velha história do medo e do egoísmo mesmo (ou principalmente) numa relação de amor. Demasiado humano!
É um filme que fala sobre se ir despindo até a grande nudez da honestidade, como no decorrer da película em que se dá a retirada gradativa de roupas, desde a chegada em casa do casal com suas vestes de gala, até a paulatina perda do glamour festivo com a deposição dos adereços e modos de cada um.
Basicamente é um filme sobre a luta que se trava entre usurpar e buscar tomar de volta. E o que pode se salvar de tudo isso sem as fantasias ou máscaras (não estamos, afinal, para Carnaval). Mas também é um filme que fala de ternura, da ternura que nos calça para andarmos pelos cacos estilhaçados no chão, até o apagar da última luz.
Lindo filme!
domingo, 17 de janeiro de 2021
SENTA QUE LÁ VEM FILME : "CAFARNAUM"
Cafarnaum, filme multipremiado de Nadine Labaki, não é, como muitos poderão pensar, mais um filme sobre pobreza. Não, não é mais um: é o mesmo. É o mesmo e eterno enredo sobre todos os tipos de miséria.







